Capa preta com o título 4 Ps do marketing: o que são e exemplos, selo Marketing e assinatura de Tk Santos

4 Ps do marketing (mix de marketing): o que são, quem criou e exemplos de cada P

Publicado em 14 de outubro de 2026 · por Tk Santos

Os 4 Ps do marketing são produto, preço, praça e promoção: as quatro decisões que uma empresa controla para levar uma oferta ao cliente certo. O modelo foi proposto por E. Jerome McCarthy em 1960, no livro Basic Marketing, e popularizado por Philip Kotler. Também é chamado de mix de marketing ou composto de marketing (Wikipedia; CKGSB).

Passei anos à frente do marketing de uma agência de e-commerce e negócios digitais, e os 4 Ps continuam sendo o checklist mais rápido que conheço para achar onde uma estratégia está furada.

Resumo em 30 segundos

  • Os 4 Ps são produto, preço, praça e promoção.
  • McCarthy criou o modelo em 1960 e Kotler o espalhou; o termo “mix de marketing” é de Neil Borden.
  • Em serviços, use os 7 Ps; para olhar pelo lado do cliente, os 4 Cs.
  • Em 2026, as respostas de IA viraram uma nova praça.

O que são os 4 Ps do marketing?

Os 4 Ps do marketing são as quatro variáveis que a empresa controla para vender: o que oferece, quanto cobra, onde vende e como comunica. Mix de marketing, composto de marketing e 4 Ps são nomes diferentes para a mesma ideia.

Se você está começando, vale ler antes o que é marketing. Aqui o foco é a ferramenta.

Os 4 Ps servem para duas coisas: planejar um lançamento e diagnosticar por que algo não está vendendo. Na segunda, quase sempre um dos quatro está desalinhado dos outros.

Quem criou os 4 Ps do marketing?

Foi E. Jerome McCarthy, em 1960. Kotler popularizou o modelo, e o nome “mix de marketing” veio antes, com Neil Borden. A linha do tempo completa:

AnoQuemO que fez
1948James CullitonDescreve o executivo de marketing como um “misturador de ingredientes” (Wikipedia, Marketing mix)
Fim dos anos 1940 a 1953Neil H. BordenPassa a usar o termo “marketing mix” e o leva ao discurso de presidente da American Marketing Association, em 1953 (Wikipedia, Neil H. Borden)
1960E. Jerome McCarthyOrganiza o mix em 4 Ps no livro Basic Marketing (Wikipedia, McCarthy)
1964Neil H. BordenPublica “The Concept of the Marketing Mix” no Journal of Advertising Research (Semantic Scholar)
1967Philip KotlerLança a 1ª edição de Marketing Management e populariza os 4 Ps (CKGSB)
1981Bernard Booms e Mary Jo BitnerPropõem os 7 Ps para serviços, num capítulo dos anais da conferência de serviços da AMA, Marketing of Services (AMA, 1981; Wikipedia, Marketing mix)
1990Robert F. LauterbornPropõe os 4 Cs, a versão do ponto de vista do cliente (Wikipedia, Marketing mix)

Se você leu em algum lugar que foi Kotler, ou que foi Borden, agora sabe de onde vem a confusão.

O que significa cada P?

Cada P responde a uma pergunta de negócio. Abaixo, a definição, as perguntas que eu faria e um dado brasileiro recente para cada um.

Produto

Produto é tudo o que você entrega ao cliente, seja um bem, um serviço ou algo digital, incluindo marca, embalagem, garantia e pós-venda.

  • Que problema ele resolve?
  • Para quem?
  • O que faz ele ser escolhido no lugar do concorrente?

Produto também pode ser conteúdo. Quando criei o Digital Commerce, O Podcast, na Betminds, em 2022, o produto eram as conversas: foram 2 temporadas, mais de 70 episódios e um evento no Teatro Paiol, em Curitiba, com mais de 100 convidados. E o produto não termina na venda: pós-venda e relacionamento fazem parte dele.

Preço

Preço é quanto o cliente paga e, ao mesmo tempo, o que esse número comunica sobre a marca.

  • Qual é o valor percebido?
  • Quanto cobra a concorrência?
  • O preço posiciona a marca onde eu quero?

No 1º semestre de 2026, o ticket médio do e-commerce brasileiro foi de R$ 275,50, queda de 13,3%, enquanto os pedidos cresceram 34,8%. O brasileiro está comprando com mais frequência e gastando menos por compra (Confi/Neotrust, via E-Commerce Brasil, julho de 2026). Aprofundei esse P em dois textos: premium pricing e ticket médio.

Praça

Praça é onde e como o cliente encontra e compra: loja física, site, marketplace, WhatsApp, distribuição e logística.

  • Onde o meu cliente já está?
  • Quanto custa chegar até ele?
  • A entrega cumpre a promessa?

O e-commerce brasileiro faturou R$ 208,4 bilhões no 1º semestre de 2026 (mesma fonte Confi/Neotrust). E, segundo o relatório NuvemCommerce 2026, o WhatsApp é o canal de venda complementar mais usado pelas lojas online, com 73% de adoção (Central do Varejo). Dentro dos marketplaces, praça e promoção se misturam: é o que explico no texto sobre retail media.

Promoção

Promoção é como o cliente fica sabendo da oferta e é convencido: publicidade, conteúdo, redes sociais, e-mail, assessoria, influenciadores e eventos. Promoção não é desconto; desconto é uma decisão de preço.

  • Qual é a mensagem?
  • Em que canal?
  • Como vou medir?

No 1º semestre de 2026, a internet ficou com 40,7% do investimento em mídia declarado pelas agências, e a TV com 40,6% (Cenp-Meios, janeiro a junho de 2026). O painel mede só o que passa pelas agências participantes, e o próprio Cenp desaconselha comparar um período com outro. Hoje, na RPC, meu foco é crescimento orgânico, com conteúdo e SEO. Se a sua dúvida é como dividir o orçamento entre branding e performance, ou como estruturar a produção de conteúdo, os dois guias complementam este P.

Exemplo dos 4 Ps na prática

Os 4 Ps só funcionam juntos: um P desalinhado derruba os outros três. Veja um exemplo ilustrativo (fictício), de uma cafeteria de bairro que vende café especial também online:

PDecisãoPor quê
ProdutoCafé especial em grãos, em pacotes de 250 g, com origem e torra na embalagemO cliente de café especial quer saber de onde vem o grão
PreçoAcima do café de supermercado, com assinatura mensal mais barata que a compra avulsaO preço sinaliza qualidade, e a assinatura aumenta a recorrência
PraçaBalcão da loja, site próprio e pedidos pelo WhatsApp, com entrega no bairroO cliente já conhece a loja e prefere conversar antes de comprar
PromoçãoConteúdo sobre métodos de preparo, degustação mensal na loja e e-mail para assinantesEnsinar a preparar faz o cliente valorizar o produto

O erro mais comum é mexer só na promoção, colocando mais dinheiro em anúncio, quando o problema está no preço ou na praça. Antes de aumentar a verba, confira os outros três.

Como ficam os 4 Ps no marketing digital?

Os 4 Ps continuam os mesmos; o que muda é a velocidade e a quantidade de dados em cada um. Em 2026:

  • Produto: versões digitais, assinaturas e dados de uso orientando cada melhoria.
  • Preço: o cliente compara em segundos; o preço pode ser dinâmico, e o frete virou parte dele.
  • Praça: marketplace, WhatsApp e, cada vez mais, as respostas de IA como vitrine. Nos Estados Unidos, o tráfego vindo de IA para sites de varejo cresceu 393% no 1º trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025, segundo a Adobe (TechCrunch, abril de 2026). É por isso que vale a pena aparecer nas respostas das IAs.
  • Promoção: conteúdo, SEO, creators, CRM e conversa.

Se a sua dúvida é a diferença entre os canais offline e online, ela está no guia de marketing tradicional.

4 Ps, 7 Ps ou 4 Cs: qual usar?

Use os 4 Ps para produtos, os 7 Ps para serviços e os 4 Cs para conferir tudo do ponto de vista do cliente.

ModeloQuem e quandoElementosUse quando
4 PsE. Jerome McCarthy, 1960Produto, preço, praça e promoçãoFor planejar ou revisar um produto
7 PsBooms e Bitner, 1981Os 4 Ps + pessoas, processos e evidência físicaVender um serviço, em que a experiência é o produto
4 CsRobert F. Lauterborn, 1990Cliente (o que ele quer), custo, conveniência e comunicaçãoQuiser testar a estratégia pelo olhar de quem compra

Fonte: Wikipedia, Marketing mix. Existem outros modelos, como os 8 Ps e o SAVE, mas os três acima resolvem a maior parte dos casos.

Os 4 Ps ainda fazem sentido em 2026?

Sim, como checklist. A crítica mais justa é que eles olham a partir da empresa, e foi por isso que os 4 Cs vieram depois. O marketing mudou de foco ao longo das eras, como mostro no texto sobre a evolução do marketing segundo Kotler, mas as quatro decisões continuam sobre a mesa.

E no seu negócio, qual dos 4 Ps está mais desalinhado hoje?

Perguntas frequentes

Mix de marketing e composto de marketing são a mesma coisa?

Sim. Mix de marketing e composto de marketing são duas traduções do inglês marketing mix, termo popularizado por Neil Borden a partir do fim dos anos 1940. Os dois nomes se referem ao conjunto de decisões que a empresa controla para vender, organizado por E. Jerome McCarthy em 1960 nos 4 Ps: produto, preço, praça e promoção.

Kotler criou os 4 Ps?

Não. Os 4 Ps foram propostos por E. Jerome McCarthy em 1960, no livro Basic Marketing. Philip Kotler foi quem mais popularizou o modelo, a partir da primeira edição de Marketing Management, em 1967, e por isso muita gente atribui a criação a ele. O termo “mix de marketing”, por sua vez, é de Neil Borden.

Como ficam os 4 Ps em inglês?

Em inglês, os 4 Ps são product, price, place e promotion. “Praça” é a tradução consagrada de place no Brasil, embora o sentido seja mais amplo que um lugar físico: inclui canais de venda, distribuição e logística. Por isso, em alguns materiais, você também vai encontrar “ponto de venda” ou “distribuição”.

O que é a praça no marketing?

Praça é o P que define onde e como o cliente encontra e compra o produto. Inclui canais de distribuição, pontos de venda físicos e digitais, como loja, site, marketplace e WhatsApp, e a logística de entrega. Uma boa decisão de praça coloca o produto onde o cliente já está, com um custo que não engole a margem.

Os 4 Ps servem para pequenas empresas e serviços?

Servem para os dois. Em pequenas empresas, os 4 Ps ajudam a decidir com pouco dinheiro, porque mostram onde está o gargalo antes de investir. Em serviços, vale somar os 3 Ps extras dos 7 Ps: pessoas, processos e evidência física, já que a experiência de atendimento faz parte do que o cliente compra.


Os 4 Ps têm mais de 60 anos e continuam sendo o jeito mais simples de olhar para um negócio inteiro de uma vez. 💙

Se quiser trocar ideia sobre o seu mix de marketing, fale comigo pela página de contato. E, para continuar no tema, leia o guia de marketing tradicional ou a evolução do marketing.

Sobre a autora: Tk Santos é estrategista de marketing digital, com carreira em canais digitais desde 2012. Hoje é Coordenadora de Estratégias Digitais da RPC, afiliada da Rede Globo no Paraná, e liderou o time vencedor de Melhor Ativação de Redes Sociais no Prêmio Rede Globo 2025. Foi Head de Marketing e sócia da Betminds, agência de e-commerce e negócios digitais, onde criou o Digital Commerce, O Podcast. LinkedIn · Instagram · YouTube

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *