Coisa de Rico: o que o livro de Michel Alcoforado revela sobre consumo, status e poder simbólico

Quando terminei Coisa de Rico, fiquei com aquela sensação boa de livro que organiza pensamentos que já estavam rondando, mas ainda sem nome.

O Michel — Michel Alcoforado — não está falando de dinheiro. Está falando de código social, de repertório, de como o consumo vira linguagem e, principalmente, de como status hoje tem mais a ver com escolhas do que com excessos.

E isso conversa muito com o que vejo todos os dias no marketing, no conteúdo e nas marcas.

Uma das ideias que mais me marcou é que rico não consome para provar. Ele consome para se reconhecer. Não precisa explicar, não precisa convencer, não precisa performar. Existe uma tranquilidade ali que vem de quem sabe que pertence e isso muda tudo.

Outro ponto forte: o verdadeiro luxo é o tempo.
Tempo para escolher melhor.
Tempo para errar sem quebrar.
Tempo para esperar a tendência passar.

No digital, isso é brutal. A maioria das marcas (e das pessoas) age no modo urgência eterna: postar agora, vender agora, responder agora. Quem tem margem de tempo consegue pensar estratégia. Quem não tem, vive tática.

O livro também desmonta, com muita elegância, a ideia de meritocracia pura. Não gritando, não apontando o dedo, mas mostrando que o jogo começa em lugares diferentes. Antes do dinheiro, vem o aprendizado do comportamento: como falar, como circular, como se posicionar, como errar com rede de proteção. Isso explica muita coisa que, no mercado, ainda é tratada como “talento individual”.

Do ponto de vista de branding, Coisa de Rico é quase um manual silencioso:

  • Marcas fortes não explicam demais
  • O excesso de discurso geralmente denuncia insegurança
  • Sofisticação mora no recorte, não no volume
  • Dizer “não” também constrói marca

Isso vale para empresas, projetos pessoais e até para conteúdo. Nem tudo precisa virar post. Nem toda tendência precisa ser surfada. Às vezes, não entrar é o posicionamento.

E vale dizer: estou escrevendo esse texto aqui muito a partir do meu olhar de marketing e branding.

Pois o livro também traz uma crítica social importante sobre desigualdade, acesso, herança cultural e os códigos invisíveis que mantêm privilégios funcionando. Michel não romantiza a elite. Ele expõe os mecanismos.

Talvez o maior valor do livro esteja justamente aí: ele nos ajuda a entender como o jogo é jogado, sem glamourizar, mas também sem simplificar. Ler isso com consciência crítica é fundamental, especialmente pra quem trabalha criando narrativas, marcas e desejos todos os dias.

Coisa de Rico não ensina a ficar rico.
Ele ensina a ler o mundo com mais camada.
E isso, pra mim, já é um baita luxo.

Você leu o livro? O que achou?

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